domingo, 22 de março de 2026

Leitura de domingo: Canção para Ninar Menino Grande de Conceição Evaristo







Na coluna leitura de domingo de hoje gostaria de compartilhar com vocês a minha experiência de leitura do livro Canção para Ninar Menino Grande, de Conceição Evaristo. A história gira em torno do personagem Fio Jasmin, um homem negro, bem atraente, que trabalha em um trem e se relaciona com diversas mulheres de cidades diferentes, de estação a estação.

O livro faz uso de uma narrativa não linear e é construído através de vozes das mulheres que cruzam os trilhos de Fio Jasmin, criando uma atmosfera envolvente e que aproxima o leitor. A obra representa uma reflexão potente sobre gênero, raça e afeto, apresentando uma narrativa que apesar de ter um homem como figura central, é essencialmente feminina em perspectiva e abordagem.

A escrita de Conceição Evaristo é rítmica e utiliza uma linguagem que remete a oralidade, transformando a leitura em uma experiência única e que estimula os sentimentos e os sentidos. A narrativa também é poética, mas ganha um tom de crônica de costumes. É um livro que incomoda porque nos faz questionar de forma bem fluida e envolvente.

É o trem que dita o ritmo da escrita e cada história de uma mulher é uma estação. O amor é uma estação, um lugar de desembarque e também de partida. Fio Jasmin pode ser visto como a figura do trem, uma presença marcante e que atrai atenção por onde passa.

O livro é um representante do conceito de escrevivência, que Conceição Evaristo defende. É a escrita que nasce das experiências vivenciadas. As diversas mulheres que passam pela vida de Fio Jasmim, não são apenas personagens fictícias, são ecos de mulheres negras reais, que a autora conheceu, ouviu falar e coloca as mulheres como sujeitas com suas próprias histórias, desejos, saudades, dores, prazeres e satisfação. É um livro tão envolvente que você lê em uma viagem de trem.

Lançamento Fotobiografia Naná - Do Recife para o mundo


 O livro Fotobiografia Naná - Do Recife para o mundo - será lançado nesta sexta-feira, 14 de fevereiro, na Torre Malakoff (Praça do Arsenal, Recife Antigo), às 19h. O livro é uma realização da CEPE Editora e o Banco do Nordeste em homenagem aos 80 anos de nascimento de Naná Vasconcelos (1944-2016), e desbrava a vida e a obra do percussionista pernambucano de fama internacional, em fotos e textos. A organização é do designer e jornalista Augusto Lins Soares. Além do lançamento do livro, o evento conta também com as apresentações de Gilú Amaral, César Michiles, Surama Ramos e do grupo olindense Ìyámassé Málé.